quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Poema o Colar de Rubis - Lola de Oliveira



O colar de Rubis - Lola de Oliveira


Numa caixa de jóias, muito fina, 
de seda purpurina, 
De brilhante matiz, 
Cintilavam rubis.

Tomei, em minhas mãos, o custoso colar 
E cada um rubi começou a falar:


— Eu, disse o primeiro, sou o rubi oriental! 
Nas pedras preciosas não conheço rival. 
Sigo por sobre a terra, em marcha triunfante, 
Pois diante de mim, curva-se o diamante. 
Sou o mais forte, também e o de mais valor. 
Eu simbolizo a vida, a alegria, o amor!


O segundo exclamou: — Sou o rubi-rubicela!

O terceiro gritou: Eu, o rubi espinela!

O quarto replicou, nüma voz deliciosa: 
— Sou o rubi da Boêmia, a pedra cor de rosa!


O quinto bradou, com ligeira emoção: 
— Eu tenho a cor do cravo, eu nasci em Ceilão!


O sexto continuou: — Na Índia decantada, 
Eu surgi como a rósea madrugada!


O sétimo, que ao sol resplandecia, 
Era um rubi do Brasil, trazido da Bahia.


O oitavo faiscava, docemente, 
E tinha a cor dorida do poente.


O nono fôra encontrado em Ratuapura, 
Era uma pedra de rara formosura.


O décimo, e talvez o maior do colar, 
Viera do Tibet e deslumbrava o olhar.


Um outro rubi, quase minúsculo, 
Guardava a cor magoada do crepúsculo. 
Parecia querer se amesquinhar 
Entre todas as pedras do colar; 
mas tinha um brilho estranho e peregrino.


— "De onde vens" — perguntei ao rubi pequenino. 
"Conta-me a tua história de pedra preciosa. 
Vieste do Tibet? Da Índia misteriosa? 
És, de certo, o rubi mais raro do Oriente". 
E o pequeno rubi falou, pausadamente: 


— Sabes por que o meu brilho é extraordinário, 
Que ofusca a própria luz? 
É que eu nasci no cimo do Calvário 
Sou o rubi do sangue de Jesus!... 

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